Quarta-feira, 04 de Maio de 2011

Há muito, muito tempo, quando eu era criança, o meu avô levou-me a visitar o seu pomar.

― É o último bocadinho de terra que possuo, desde que vim viver para a cidade ― disse-me, enquanto cumprimentava toda a gente.

― Avô, como fazes para conhecer tanta gente? ― perguntei-lhe, enquanto corria para o acompanhar.

Ele parou para esperar por mim.

― Não os conheço pelo nome, conheço-os pelo coração. Sabes, Honey, não há estranhos para mim.

― Porquê? ― perguntei, dando-lhe a mão.

Sorriu alegremente e respondeu:

― Porque eu e o meu coração somos livres.

Depois de caminharmos um pouco, disse:

― Minha querida, sabias que nos tempos tristes da escravatura eu costumava andar com sementes de macieira no bolso, e acreditava que, quando fosse livre, haveria de as plantar no meu próprio pedacinho de terra?

― Não, não sabia.

― Um dia, dei-me conta de que isso só aconteceria quando nós mesmos lutássemos pela liberdade. Então, uma noite, fugimos.

― Quem é “nós”?

― Eu, a tua avó Polly, e a tua mãe, que era bebé na altura ― respondeu, acariciando os meus caracóis. ― Tínhamos medo, claro, mas fomos cuidadosos.

Parou de falar, enquanto relembrava aqueles tempos…

― Quando chegámos ao Norte, já tínhamos passado por muitos



publicado por hpt às 16:39
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