Sábado, 07 de Maio de 2011

Mãe Sebona vivia numa colina, bem longe da loja.

Para chegar à loja, tinha de percorrer um longo caminho, descer a colina, transpor o rio, entrar e sair dos rochedos, subir e descer a encosta, atravessar o vale e os campos de milho, até chegar à estrada poeirenta, onde se encontrava a pequena loja branca com o telhado de zinco vermelho, à sombra das seringueiras.

Era um trajecto bem longo.

Mãe Sebona tinha cinco filhos: Thandi, Sipho, Lindiwi, Themba e Busisiwe, que nunca tinham ido à loja, porque a caminhada era extensa e a mãe pensava que eles se cansariam. Por muito que lhe pedissem para ir, a mãe respondia sempre “Não!”.

Contudo, um dia, Sebona precisou mesmo de ir às compras.

— Por favor, mãe, podemos ir à loja contigo? — pediram Thandi, Sipho, Lindiwi, Themba e Busisiwe ao mesmo tempo.

— Não — respondeu a mãe. — É muito longe e vocês cansam-se. Ficam com dores nos pés, nas pernas e nas costas. Depois choram e queixam-se. Além de ficarem cheios de calor.

— Não ficamos nada, mãe — disseram os filhos em coro. — Não vamos ficar com calor, nem ficar cansados, e não vamos queixar-nos. E também não vamos ter dores nos pés, nas pernas, ou nas costas. Somos fortes e podemos ajudar-te a carregar as compras, que são demasiado pesadas para ti.

Mãe Sebona acabou por concordar.



publicado por hpt às 07:11

Na aldeia de Sakata, os meninos brincam à volta da árvore. Mas isso não os impede de estar atentos a qualquer pequeno ruído que venha do Congo, o grande rio que corre perto dali. Estão à espera de que o barco passe.

— Hei! Olha o barco! Já lá vem o barco-correio!

Para Kembo é um dia importante. Quando o barco que transporta tantas mercadorias maravilhosas abrandar a velocidade, ele vai aproximar-se e pôr as mãos no casco. Até há-de subir a bordo. A manobra é arriscada, mas Kembo está decidido.

— Mido, Eloni, vamos! Temos de ser os primeiros a acostar!

Enquanto Mido e Eloni pegam nos remos do pangaio, Kembo grita:

— Cuidado! A piroga vai meter água! Vejam que tem um buraco à frente!

Kembo tapa o buraco com um pouco de barro.

— Agora podemos ir. A minha mãe quer que lhe traga sabão e uma T-shirt.

As folhas dos nenúfares agitam-se à passagem deles. Escondido debaixo da umbela de um cogumelo, um sapo está quase a apanhar um insecto. Que sossego! Mas, de repente, o sapo esconde-se, e os pássaros levantam voo com grande alarido. O que terá causado toda aquela agitação, pregando um susto de morte às crianças? A serpente negra que assombra o rio!



publicado por hpt às 07:07

Naquele tempo, que não era como o tempo de hoje, os leões já tinham quatro patas mas, tal como os elefantes, não podiam meter-se por dois caminhos ao mesmo tempo!

Naquele tempo naquela aldeia havia Fati e Issa.

Fati dormia deitada numa esteira, sempre de barriga para baixo. Durante esse tempo, Issa sonhava deitado de costas, na cabana da mãe.

Uma manhã, Issa convidou Fati para ir com ele à pesca, no grande riacho.

― Fati, vens ou não pescar?

― Vou, mas… e se o peixe não morde?

― Ficamos à espera.

Partiram com ele à frente, como sempre.

Fati, que era cega, seguia-lhe os passos.

A mãe dela, como todas as mães da aldeia, sabia fazer um bom molho com sementes e também uma mistura saborosa de inhame. O pai conhecia os remédios contra as serpentes e os génios malfazejos, e contra os anões ruins do mato que só fazem mal!

Mas nem o pai nem a mãe sabiam transformar os olhos que não vêem em olhos que vêem!

Fati e Issa caminhavam num estreito carreiro vermelho.

Issa viu pássaros tecelões dar reviravoltas perto das folhas de um embondeiro.

Fati ouviu-os chilrear.

Tinha posto na cabeça um lenço para se proteger um pouco. Tal como Issa, sentia o sol a queimar-lhe os ombros como se fosse uma fogueira no mato.

Não sabia nada da forma zombeteira das sombras, sempre um pouco maiores, mas conseguia adivinhar a grande boca do sol que sugava o céu com gulodice.

Chegaram ao riacho.



publicado por hpt às 06:24
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