Ali vive em Istambul, uma grande cidade da Turquia. A sua casa fica num prédio antigo, perto da famosa Mesquita Azul. Depois das aulas, Ali vai para casa e senta-se à janela a contemplar os barcos que se fazem ao mar.
— O que estás a fazer? — pergunta-lhe a mãe.
— Estou a fotografar estes barcos — responde Ali.
A mãe olha para o filho e ri.
— A fotografar? Mas como podes tu fotografar, se nem sequer tens máquina?
— Isso sei eu, mãe! Por isso estou a tirar fotografias com a minha cabeça, que é onde as posso ver.
Ali aponta um sítio junto dos olhos e a mãe ri de novo.
— Deixa-te de brincadeiras e vai para a loja do teu pai! — diz ao filho.
O pai de Ali vende legumes e frutas e o rapaz trabalha na loja depois da escola.
— Não te mexas! Fica junto da porta — diz Ali, de repente, quando chega junto do pai.
— Porquê? — pergunta este.
— Quero tirar-te uma fotografia!
O pai sorri.
— Uma fotografia? Primeiro, tens de arranjar uma máquina. Depois, podes tirar-me uma fotografia.
— Compra-me uma máquina, pai! — pede Ali.
O sorriso do pai desvanece-se.
— Não tenho dinheiro para máquinas… — diz, devagar.
Todas as tardes, Ali vai passear na parte velha de Istambul, e observa as casas construídas junto da água. Algumas são muito velhas. Depois, olha para os homens que estão na ponte a pescar. Por fim, dirige o olhar para os barcos. E fotografa tudo com a mente. “Como hei-de arranjar uma máquina?”, pensa. De repente, a resposta surge-lhe. “Já sei, vou trabalhar no mercado!”