Quinta-feira, 05 de Maio de 2011

Era uma terra onde uma grave epidemia atingia homens e animais. Só sobreviveu o homem mais forte. Mas, um dia, apareceu-lhe uma ferida num joelho e, não podendo bastar-se a si próprio, pediu a Deus que o ajudasse. Todos os dias se arrastava até à beira do caminho por onde passavam as pessoas de regresso do mercado e rogava-lhes:

— Dêem-me alguma coisa para comer e cortem-me este joelho que tanto me faz sofrer.

Os viandantes davam-lhe de comer, mas não ousavam cortar-lhe o joelho. Não aguentando mais, um dia o pobre doente pegou numa faca e abriu o joelho. Qual não foi o seu espanto ao ver que, do corte que tinha feito, saíram três lindas meninas. Agradeceu a Deus por ter escutado a sua súplica e regressou à aldeia onde construiu uma pequena cabana para morar com as suas filhas.

Passados alguns anos, as meninas atingiram a maioridade. O pai já podia deixá-las sozinhas para ir à caça. Durante a ausência do homem, uns pastores que andavam nos arredores viram as moças e apaixonaram-se logo por elas. Quiseram levá-las para casa, onde se casariam.

Mas as jovens, que gostavam muito do pai, não queriam dar-lhe um desgosto e, por isso, não podiam deixá-lo sem o avisar. Despediram-se dos pastores, convidando-os a voltar no dia seguinte.

Quando o pai regressou, elas, entusiasmadas, contaram-lhe tudo. O velho ficou triste, mas as filhas consolaram-no dizendo:

 

— Mesmo que vamos morar para longe, tu não vais perder-nos, pois podes visitar-nos quando desejares.

E, com carinho, ensinaram ao pai o caminho para a aldeia dos seus pretendentes.

No dia seguinte, o pai saiu outra vez para caçar, os jovens voltaram como tinham combinado com as moças. Estas, depois de tratar da casa e de preparar a comida para o pai, partiram com os rapazes.

O homem viveu dois meses completamente só, mas depressa sentiu saudades das filhas e pensou em ir visitá-las. Meteu-se a caminho, seguindo o carreiro que elas lhe haviam ensinado. Quando as filhas o viram chegar, correram felizes ao seu encontro, fizeram-lhe muitas festas e prepararam-lhe, com a ajuda dos maridos, uma óptima refeição. O homem pensou:

 

Tudo o que Deus faz

é uma maravilha

mas o melhor de tudo

é a família.

 

Fábulas africanas

Lisboa, Editorial Além-Mar, 1991

 



publicado por hpt às 08:01
Um blog onde o Clube das Histórias coloca histórias de que gosta e quer partilhar. Sirva-se e dê-lhes vida! Gostaria de recebê-las por email? Procura histórias em especial? Escreva-nos! estorias.em.portugues @ gmail.com
pesquisar neste blog