Domingo, 18 de Setembro de 2011

Ali vive em Istambul, uma grande cidade da Turquia. A sua casa fica num prédio antigo, perto da famosa Mesquita Azul. Depois das aulas, Ali vai para casa e senta-se à janela a contemplar os barcos que se fazem ao mar.

— O que estás a fazer? — pergunta-lhe a mãe.

— Estou a fotografar estes barcos — responde Ali.

A mãe olha para o filho e ri.

— A fotografar? Mas como podes tu fotografar, se nem sequer tens máquina?

— Isso sei eu, mãe! Por isso estou a tirar fotografias com a minha cabeça, que é onde as posso ver.

Ali aponta um sítio junto dos olhos e a mãe ri de novo.

— Deixa-te de brincadeiras e vai para a loja do teu pai! — diz ao filho.

O pai de Ali vende legumes e frutas e o rapaz trabalha na loja depois da escola.

— Não te mexas! Fica junto da porta — diz Ali, de repente, quando chega junto do pai.

— Porquê? — pergunta este.

— Quero tirar-te uma fotografia!

O pai sorri.

— Uma fotografia? Primeiro, tens de arranjar uma máquina. Depois, podes tirar-me uma fotografia.

— Compra-me uma máquina, pai! — pede Ali.

O sorriso do pai desvanece-se.

— Não tenho dinheiro para máquinas… — diz, devagar.

Todas as tardes, Ali vai passear na parte velha de Istambul, e observa as casas construídas junto da água. Algumas são muito velhas. Depois, olha para os homens que estão na ponte a pescar. Por fim, dirige o olhar para os barcos. E fotografa tudo com a mente. “Como hei-de arranjar uma máquina?”, pensa. De repente, a resposta surge-lhe. “Já sei, vou trabalhar no mercado!”



publicado por hpt às 15:09
Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

No tempo em que os meninos trabalhavam de criados, havia uma patroa muito má que tomara a seu serviço um rapazinho, o Manuel, a quem dava ordens por tudo e por nada, qual delas a mais disparatada.

No quintal, a senhora dona tinha uma figueira que, nesse ano, dera um único figo. Pois não é que a maluca da mulher exigiu ao Manuel que estivesse todo o tempo de atalaia, não se desse o caso de os pássaros cobiçarem o figuinho?

– Quero comê-lo quando estiver maduro. Ai de ti, se deixares os melros roubarem-no.

Bem os afugentava o garoto, mas os passarocos de bico cor de laranja são teimosos. E gulosos... Às duas por três, adeus figuinho.

– Maldito miúdo. Vais pagar-mas – gritou a megera.

 

António Torrado

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Segunda-feira, 29 de Agosto de 2011

Agora que todos têm um míssil balístico pessoal de longo alcance em casa, é engraçado ver como já ninguém lhes dá importância.

No início distribuíram-nos à sorte. Nessa altura, foi muito excitante: uma pessoa, nossa conhecida, recebe uma carta do governo e, ao fim de uma semana de espera, um camião vinha entregar-lhe o míssil. Depois, nas casas de cada esquina era preciso que houvesse um. A seguir, nas casas do lado. Até que se chegou ao ponto de, hoje em dia, parecer raro que alguém não tenha um míssil no telheiro do jardim ou no estendal da roupa.

Sabe-se por que é que lá estão… Mas temos uma ideia aproximada… É que devemos proteger a nossa forma de vida num mundo cada vez mais hostil. Todos devem participar na segurança nacional (aliviando assim a pressão em que se acham os armazéns de material de guerra) e, acima de tudo, todos têm direito a sentir que estão a contribuir com o seu diminuto grão de areia. É uma pequena ajuda.

Basta apenas limpar e encerar o míssil no primeiro domingo de cada mês e, de vez em quando, deitar uma olhadela ao indicador do nível do óleo. E, uma vez num intervalo de vários anos, recebe-se uma encomenda com um kit completo de pintura, sinal evidente de que chegou a altura de eliminar qualquer ponto de oxidação e de lhe dar uma mão de pintura cor de chumbo.

Não obstante, muitas pessoas começaram a pintar os mísseis com outras cores e até há quem se tenha atrevido a pintá-los com desenhos de borboletas e flores.



publicado por hpt às 08:46
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